quarta-feira, 12 de julho de 2017

Poesia e música, flores e frutos do cerrado brasileiro


Flores e frutos
José Carlos Camapum Barroso

O pé de pequi
É logo ali:
Perto da varanda
Onde a vista alcança
E a emoção palpita
O coração de criança.

Flor do pequi
Brilha bem aqui:
No vaso da natureza
Traçado pela beleza
De um cerrado-mãe,
Carregado em cores.

O pé e a flor
Estão assim:
Bem mais perto de mim,
Agasalha sonhos
Semblante risonho
De frutos que hão de vir.




domingo, 9 de julho de 2017

Dia de aniversário é dia para sonhos e não para pesadelos


Confesso que me senti um ano mais velho no dia de hoje. Como se mais que 365 dias houvessem passados desde o último dia 9 de julho. Um peso maior de responsabilidade para com os meus e comigo mesmo. Um olhar distante e quase infinito para aquele 9 de julho de 1954. Dificuldade para vislumbrar o futuro, os dias que virão. Meio que cansado, um tanto quanto frustrado e com um grau de cobrança exagerado para com os fazeres, os afazeres e os quereres para o bem. Nuvens pesadas, cortadas por raios fulgurantes da amarga desventura. Vento forte a desviar os ideais. Relâmpagos e trovões. E um frio intenso, muito frio...

Acordei sobressaltado. Tinha dormido com pouca coberta e agasalhado um pesadelo desconcertante sobre o passar dos tempos, a idade e as razões da existência. Pesadelo pesado para a madrugada do aniversário de qualquer ser humano. Principalmente para quem atingiu a marca dos 6.3, com potência de muitos cavalos, velocidade acima da média permitida e queimando bastante combustível.
Acordei. Agasalhei-me melhor junto ao cobertor de orelha, que a Stela me proporciona na maior parte desses meus anos de existência.
Aí, pude refletir melhor e sem a influência dos “raios fulgurantes da amarga desventura”. O que dizer no dia do seu aniversário, além dos agradecimentos pelas felicitações de todos que se manifestaram de alguma forma? Agradecer, de coração, aos amigos reais, manifestantes pelas vias virtuais das redes sociais, é o óbvio e o mínimo que podemos e devemos fazer.
Aniversário é aquilo que normalmente não se quer, mas como viver sem fazê-lo? Então melhor é vivê-lo intensamente e esquecer que representa apenas o passar dos tempos. Representa muito mais. Diriam os otimistas de plantão que essa data traduz sabedoria, acúmulo de experiência, conquistas e outros prazeres.


Nos tempos em que comemoravam meu aniversário, como diria Fernando Pessoa, "eu era feliz e ninguém estava morto". Tinha uma saúde de dar inveja e o passar dos anos era sempre uma conquista digna de ser registrada nas folhas de um diário. Se fizermos como o poeta Carlos Eduardo Drummond e formos ao dicionário, a definição de aniversário é burocrática, desprovida de emoções, pesada, como geralmente é pesado o “pai dos burros”.

Mas, leve e poética é a definição que o próprio Carlos Eduardo Drummond deu ao vocábulo:

"Aniversário: espécie de relicário,
Muitíssimo bem guardado
Nas folhas do meu diário,
Dos versos que eu escrevi,
Com todo amor, e não li,
Durante o ano passado."

Eu até arrisquei dizer algumas palavras em versos:

Meu aniversário é perda de tempo...
Melhor seria passá-lo ausente,
Distante de tudo, dos fatos e fotos,
Do angustiante cantar dos parabéns,
Das palmas agudas e alucinantes...
Entre apagar de velas e dos tempos...
Mas, como dar-lhe essa forma contraída
Se o que representa é a própria vida!

Pois é, amigos, pior do que o passar dos anos é a ausência deles. De certa idade para frente, deixamos de fazer anos, mas passamos a durar, teimosamente. E não há motivo para não comemorar o aniversário. Ele é apenas o renovar da felicidade de viver, com todo o esplendor que a vida traz em si mesma.

Ou, como diria poeticamente Fernando Pessoa:

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...”

E para terminar, faço minhas essas palavras do poeta maior, Carlos Drummond de Andrade:

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.




quarta-feira, 31 de maio de 2017

Mané Garrincha dribla coveiros e some do cemitério


Mané Garrincha conseguiu driblar até os coveiros do cemitério municipal de Raiz da Serra, em Magé, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro. Deu uma guinada de corpo pra cá, outra pra lá, e sumiu pela direita, como sempre fazia com seus marcadores. Garrincha deve estar, livre daquela cova “nem larga nem funda”, circulando pelos bailes de gafieiras das noites cariocas, como também sempre fazia, e com esmero.
Esse prolegômeno todo é para dizer que um dos maiores craques da história do futebol mundial, um jogador hour concour, Manuel Francisco do Santos, vulgo Mané Garrincha, simplesmente desapareceu do cemitério. Não se sabe mais onde está enterrado o corpo desse extraordinário jogador de futebol.


A notícia está em todos os jornais e veículos de comunicação desta quarta-feira, dia 31 de maio de 2017, para surpresa e espanto do povo brasileiro tão vilipendiado por notícias desastrosas nos últimos anos. Pasmem, a direção do cemitério não sabe onde estão os restos mortais de Garrincha. Os burocratas acreditam que devem ter desparecidos durante o processo de exumação.
Garrincha, com seus dribles geniais, sua extraordinária criatividade, apelidava de “João” os adversários que se tornavam suas vítimas, principalmente os laterais esquerdos. Dezenas de jogadores receberam esse carimbo, enquanto Garrincha esteve em plena atividade. Muitos deles aceitavam humildemente essa pecha e até faziam brincadeiras com o apelido.
Mané é uma redução de Manuel, de uso corrente e popular. No sentido figurado, significa aquele sujeito otário, metido a sabido, que na realidade não passa de um “Mané”. Garrincha era Mané por causa da primeira versão. Mas os burocratas do cemitério de Magé não passam de verdadeiros “Mané”, no segundo significado.


Os burocratas de Brasília tentaram, alguns anos atrás, mudar o nome do Estádio Mané Garrincha para Estádio Nacional de Brasília. Levaram uma rasteira da opinião pública e também foram driblados e humilhados pelo gênio da bola.
Comentário da administradora do cemitério:
“Pelo que a gente pesquisou, não se tem certeza de que ele está enterrado. Houve uma informação de que o corpo foi exumado e levado para um nicho (gaveta no cemitério), mas não há documento da exumação”.
Comentário de Rosângela Santos, filha de Garrincha:
“Meu pai não merecia isso”.
Sem maiores comentários. Vamos ouvir o canto de Moacir Franco sobre o camisa 7 para nos ajudar a afogar mágoas.


terça-feira, 16 de maio de 2017

Morre o mestre e maestro Joaquim Jaime, o Nega


O mestre e maestro Joaquim Jaime, carinhosamente chamado de Nega, morreu na noite de ontem, em Goiânia, aos 76 anos de idade, em consequência de um AVC. O maestro Joaquim era um músico excepcional, reconhecido pelo seu talento no Brasil e também no Chile e na Alemanha, países em que ampliou sua formação e também foi professor. Nascido em Niquelândia, Goiás, estudou piano em Goiânia com Belkiss Spenciére Carneiro de Mendonça. Fez pós-graduação no Departamento de Música da Universidade de Brasília, sob orientação do maestro e compositor Cláudio Santoro. Foi perseguido e preso pela ditadura militar, buscando exílio no Chile.

Em Santiago, onde conheceu e casou com a chilena Mirtes, o companheiro Nega foi aprovado em primeiro lugar no concurso para professor, tornando-se depois Diretor do Departamento de Música da Universidade de Concepción,  do Chile. Mais uma vez enfrentou um golpe militar, dessa vez para derrubar o presidente socialista Salvador Allende. O músico estava no aeroporto, a caminho do avião, quando quase foi preso pela polícia da ditadura chilena, sendo salvo pelo embaixador da Suíça, que interferiu impedindo sua prisão.
Do Chile para a Holanda e depois para a Alemanha, onde fez mestrado de Musicologia pela Universidade Rostock, na Alemanha Oriental. Com a anistia, retornou ao Brasil e fundou a Orquestra Filarmônica de Goiás. Em 1993, a convite da Prefeitura, organizou a Orquestra Sinfônica de Goiânia. Poucos anos depois, uniu o Coral Municipal com a Camerata Vocal de Goiânia, criando o Coro Sinfônico de Goiânia. Compôs o Hino do Estado de Goiás, com letra de José Mendonça Teles.

Em 1999, recebeu o troféu Jaburu, concedido pelo Conselho Estadual de Cultura, pela obra antológica Ricordanza, um CD de 12 músicas, com letras dos poetas goianos Aidenor Aires, Jacy Siqueira e Leo Lyce.
Nega era um apaixonado por música e pela gastronomia (tanto em qualidade, como em quantidade). Tive a oportunidade de conhecê-lo. Era muito culto e espirituoso. Certa vez, fez um comentário que me deixou honrado. Disse para o casal Goiá Jaime (seu irmão) e Vênus Mara (minha cunhada), o seguinte: “o cabeludo conhece muito de música”. O cabeludo era eu, nos tempos que ainda tinha muito cabelo.


Certa vez, ao escrever sobre o Dia da Música e do Músico (para ler clique aqui), pedi que escolhesse uma música para homenagear a categoria. Sugeriu que eu postasse um réquiem de Mozart. Está lá, homenageado, juntamente com os mestres Gamela e Plínio.
O amigo, mestre e maestro Nega vai fazer muita falta. Não só para a cultura goiana, do Centro Oeste, mas para todo o universo da música brasileira e mundial. Quem sabe formará um trio com Gamela e Plínio, ampliando a beleza do universo e fazendo cintilar mais intensamente o brilho da constelação das estrelas. Niquelândia, Pirenópolis, Nazário, Goiânia, Goiás, o Brasil, o Chile, a Holanda, a Alemanha... todos estamos de luto.
Nos vídeos abaixo, o Hino de Goiás e um trecho de ensaio da orquestra com o maestro Joaquim Jaime, no qual se pode perceber que alem de exigente, com cara de bravo, ele também era bem humorado.




sexta-feira, 21 de abril de 2017

Brasília, 57 anos, em três vértices de um triângulo de paixões


Tenho Brasília como minha cidade há 44 anos. Cheguei por aqui em janeiro de 1973. Agora, a cidade chega aos 57 anos de fundação. Aquela que escolhi para estudar, trabalhar, morar, constituir família e viver em paz com os amigos. Brasília tem a capacidade de se internalizar na nossa alma e na forma de pensar e de agir de cada um de nós. Uma cidade que nos ajuda a projetar o futuro de forma ampla, traçado a partir de novos horizontes, com um visual moderno e um pensamento inclusivo. Talvez devamos isso ao seu desenho urbanístico e a sua ousadia arquitetônica, mas também ao que ela se propôs desde sua criação.
Quando aqui cheguei, Brasília era uma garota, uma adolescente de quase 13 anos. Cheia de vitalidade, sonhos e esperanças. Os problemas maiores que cercam uma cidade grande ainda não se apresentavam de forma ostensiva, mas já davam os seus primeiros sinais, nas quadras, superquadras, eixos, vias e rodovias que desembocavam, cada vez mais, em novas cidades.
Vejo Brasília em três vértices. Tento expressá-los nos poemas que se seguem. E deixo aqui, mais uma vez, meus parabéns a essa cidade tão querida e inspiradora. Cidade do futuro, mas que traz em sua bagagem um passado enriquecido pelos sonhos e esperanças de seus filhos-criadores, com um presente pujante e amplo de possibilidades.


Horizonte em tela

Final de tarde em Brasília
Traz uma beleza infinita,
Que se perde no horizonte
E se encontra nos corações.

Da Catedral ao Cruzeiro,
Em pleno inverno seco,
As luzes se dissipam
Convergem-se ao passar
Pelo memorial de JK,
Como um prisma de nuvens.

E as imagens da Esplanada
Seguem pela torre, engalanadas,
Como se o centro do Universo
Fosse aqui, nas convenções
Criadas pelo traço do artista
Eterno, criador da natureza.

A cruz primeira do Cruzeiro
É o gesto final, derradeiro,
Para que o cavalete divino
Estique a tela do Senhor.
Faz-se a pintura maior,
Tingem-se as cores no céu
E o poeta crê que isso é amor...
Fecham-se as cortinas lentamente...

A lua dá os matizes finais,
As estrelas salpicam no pano,
E a cidade dorme suavemente...


Superquadras

Quadras quadradas,
Retângulos obtusos,
Saídas em círculos
De retas infinitas...
Triângulo (in) vértice,
Curvas imaginárias,
Onde paralelas finitas
Enfim se encontram
Entre duas asas.

Povo e povoado
Distantes do amanhã.
Casa e casebre...
Longe, perto, edifício...
Um mato que mata
Um sonho, pesadelo.
Árvore arvoredo...
De buscar bem cedo
Antes que o retorno
Sombrio da noite
Tire o Eixo dos eixos.

Brasília em brasa.
Círculo do circo
Que teima em circular.
Brasília de traços
Vistos do horizonte...
Hoje ainda de manhã,
Belas tardes de ontem.


Acorda Brasília!

Brasília, Brasília
Não és mais uma ilha,
Cercada de fantasias...
És senhora, adulta,
Cortada por viadutos
E vias congestionadas.
Por cidades-satélites,
De luzes reticentes
Que não brilham como a tua...
Por ruas que não se cruzam
No esplendor da simetria,
Na grandeza de monumentos
Que ostentas em curvas,
Entre retas infinitas...

Avião de asas cortadas,
Piloto sem plano de voo,
Perdido no quadrilátero
Incrustado no coração
De um Brasil Central,
Pleno de indiferenças...

Brasília, Brasília...
Não mais sorris aos filhos
Adotados e aos que são teus,
Que te ergueram e foram
Erguidos aos céus,
No sonho de dom Bosco,
Entre suor e lágrimas candangas.

Acorda antes que o sonho
Desperte o medo,
No século do pesadelo.
Acorda Brasília!

Ouça a voz que ecoa
No Planalto Central:
Ainda és sonho,
Esperança de vida!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A chacina do Realengo, seis anos depois


Alguém se lembra do Massacre de Realengo? Neste mês de abril, essa tragédia está completando seis anos. A chacina ocorreu no dia 7 de abril de 2011, por volta das 8h30 da manhã, na Escola Municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro de Realengo, na cidade do Rio de Janeiro. Um rapaz de 23 anos, Wellington Menezes de Oliveira, invadiu a escola armado com dois revólveres calibre 38 e começou a disparar contra os alunos presentes, matando doze deles, com idade entre 13 e 16 anos, e deixando mais de treze feridos. O rapaz, ao ser interceptado e baleado por policiais, cometeu suicídio.
Amigos e familiares das vítimas não se conseguem se livrar da dor e do trauma deixado pela chacina.



No ano de 2015, um monumento em homenagem às doze crianças e adolescentes foi inaugurada numa praça, nos fundos do colégio. São 11 estátuas com o rosto de onze vítimas e uma estátua de uma borboleta, que representa a 12ª vítima (os pais pediram para não ser moldado o rosto da filha).
As grandes tragédias acontecem no Brasil, mas, rapidamente, caem no esquecimento. O crime causou comoção nacional e teve ampla repercussão internacional. Na época, chocado com a dimensão desse acontecimento, escrevi os versos abaixo, como uma forma de homenagear principalmente as mães daqueles garotos e garotas.
Resgato o texto com a esperança de ajudar a refrescar nossa memória, e não deixar que essas tragédias simplesmente caiam no esquecimento. São seis anos apenas, mas, tenho certeza, muitos já esqueceram.

Rio de sangue
José Carlos Camapum Barroso

O sangue viscoso,
Que desce escadas,
Sobe pelas paredes
Até o quadro-negro...

Borra janelas,
Transpõe muros,
Atravessa ruas,
E escala morros...

Fere montanhas,
Arranha encostas.

Expõe-se ao mundo,
Nos braços abertos
Do Cristo, redentor...
Do pão, de açúcar,
Das praias, abertas,
Da cidade, maravilhosa.

O sangue é jovem.
Não para de jorrar
Por veias abertas
De um país, livre...
De um mundo, novo,
De uma Terra, global,
Do Universo, infinito.

O sangue é forte.
Lágrimas apenas
Não o contém.
O sangue é jovem,
Viscoso e vivo,
Afia e desafia
Dores de mães
Do Realengo.

O Rio é um mar,
Tinto de lágrimas.
O Rio é salgado...

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Geraldinho do Angical tem talento pra fazer e tocar viola caipira

Geraldinho, com a rabeca e o irmão Batista na viola - pé na estrada do sertão
O som da viola caipira faz parte da nossa cultura musical. O ponteado desse instrumento, suave e delicado, desperta a sensibilidade musical do povo goiano, assim como a do nordestino, mineiro, paulista, mato-grossense. Foi com prazer que descobri, recentemente, que a família da nossa Evinha, secretária de muitos anos lá de casa, é de uma formação musical invejável. Seu irmão José Geraldo Gonçalves dos Santos é sertanejo da gema, fazedor de viola e instrumentista de rabecão e também de viola. Conhecido como Geraldinho do Angical, cidade incrustada no sertão, foi aluno do mestre Minervino, que viveu e morreu em São Francisco (MG).
Geraldinho toca sempre bem acompanhado dos irmãos Batista e Estevão, como no vídeo abaixo. Tem talento não apenas para a arte de moldar a viola, como também para tocar de forma suave e harmônica. Todos na família são autodidatas, mas só Geraldinho revelou aptidão para feitoria de viola e serviços de marcenaria. 



Faz questão de agradecer o mestre Minervino (foto acima) pelos ensinamentos. E lembra:

“Ele [mestre Minervino] me convidou para ajudá-lo na oficina.
Comecei serrando os tampos, lixando e colando uns detalhezinhos,
tanto nas violas como nas rabecas. Com ele aprendi
que para ser um bom artesão, e pro instrumento ficar bom mesmo,
 tem de ter mão maneira, tem de ser paciente e ser detalhista,
 tem de ter força de vontade. E amor pela música e pelas folias”.
(Publicada no livro Artesanato de Minas)

Geraldinho é de origem humilde. Sandália nos pés, chapéu na cabeça, disposição e paciência para fazer aquilo que mais gosta: artesanato e música. É mais um personagem a enriquecer o interior brasileiro, de Minas Gerais e da região do São Francisco. É mais um artista desconhecido, longe da fama e do sucesso, mas, presente de forma incontestável na rica cultura do povo brasileiro.



Quando apresentou sua primeira viola a Minervino, Geraldinho ouviu do mestre: “Eh... O moço aprendeu a fazer a viola”. Essa frase ele não esquece e abre um sorriso ao repeti-la para os amigos e parentes.
E eu acrescento. Ele aprendeu a fazer viola ali, com o mestre Minervino, mas, o talento, já trazia nas veias, no coração e na mente sempre aberta para as artes. Ouçam a seguir um pouco de Renato Andrade, um dos grandes mestres desse instrumento tão popular.




quarta-feira, 15 de março de 2017

Poesia sobre a Natureza e os que se vão


A natureza não precisa de palavras. Ela fala por si só. Os poetas percebem e são capazes de expressar essa característica, razão maior de toda a beleza que salta aos nossos olhos e que, muitas vezes, nos emociona. É o que minha irmã Juracema, com sensibilidade, nos mostra nesse poema postado nas redes sociais. Na mesma semana, o conterrâneo e amigo Ítalo Campos fazia circular esse poema tão expressivo aos que se vão, longe, muito além da imaginação, quando embalados pelas asas “que mantêm o desejo”.


Resolvi juntar essas peças neste espaço. Quem sabe, abrir as portas para uma leitura menos diluída e mais literária desses dois textos tão interessantes. Crônicas, poesias, músicas e tantas outras manifestações artísticas andam meio soltas, por aí, nesses tempos de comunicação on line, instantânea, interativa, mas, ao mesmo tempo, tão dispersa.
Então, que falem os poetas. Mesmo que seja aos que se foram ou ao silêncio eloquente da Natureza.


Natureza silente
Juracema Barroso Camapum

Deste silêncio intenso
O que nasce, nasce de súbito,
Fim da procura se fechando...

Fitar a alma confundida,
Ter um centro no mundo,
Lançar ao vento tantas perguntas -
O riacho cantante traz suspiros
Ao corpo imerso e pleno.

Rescaldado sol do cerrado,
Alegria feminina no silêncio do sol.
Sons da natureza ao alcance, 
Personalidade que ri, grita, ama e chora.

Compartilhar os amores da natureza
As maravilhas observadas no silêncio
Transparente, receptivo e calmo.


Aos que se vão
Ítalo Campos

Posto que asas não são postas
às cobras e aos ratos,
porque esses vivem de rastros
e restos de chão,
para trajetos curtos, rumos pequenos,
os que se arrastam
não chegam.


E se têm desejos, fracos,
não os levam além, se recolhem
a pequenos frascos,
solúveis à pressão.
As asas são para outros
que vão longe,
que se atiram.
São asas que atravessam trevas,
nuvens, lugares.
São asas que transformam os
sonhos, as tristezas e a esperança.
São asas que avançam o que se lança
da imaginação.
São asas que mantêm o desejo
o que sustenta a civilização.


Posto que meus filhos não são ratos,
porque meu amor lhes deu asas,
agora partem.
E aqui ficamos com nossas asas recolhidas
a admirar os pássaros na construção
de suas novas vidas.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Carnaval, poesia, música e um bom motivo pra relaxar


Segunda-feira de carnaval é dia bom para cuidar de plantas, flores, fotografia, poesias, ouvir música e relaxar. Tem coisa melhor do que descansar e fazer tudo isso numa segunda-feira? E justamente uma segunda que não é nem feriado, mas apenas ponto facultativo. Como o meu Carnaval dos Amigos já passou, foi sábado passado, prefiro me recolher neste dia de muita agitação para tanta gente.
Brincar de poesia, fazer vídeo e apreciar a chuva mansa que cai lá fora. Coisas como esse curto poema Inversos, acima. Ou o vídeo abaixo, com fotos, poesia e fundo musical.
Bom carnaval e bom descanso para os amigos e amigas.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Blog faz seis anos com 300 mil visualizações de páginas


A comunicação mudou no século XXI, graças à rápida e ampla evolução da tecnologia, que tornou o mundo pequeno, aproximou os lugares mais distantes por meio de redes sociais de intensa atividade e de fácil acesso. Mergulhei nessas veias abertas desde os primeiros momentos, e estou por elas transitando e sobrevivendo, ainda. Embora participe mais intensamente do Facebook, tenho grande paixão mesmo é pelo blog.
O ZecaBlog está fazendo, neste mês carnavalesco de fevereiro, seis aninhos de existência, voltado para a cultura em todo o seu universo de expressão, desde as raízes à modernidade das novas tecnologias. O blog alcançou, no dia 09 de fevereiro, a significativa marca de 300 mil visualizações de páginas, desde que começamos naquele distante 16 de fevereiro de 2011, com a bela e expressiva poesia Áspera Flor, de Itaney Francisco Campos (para ler, clique aqui).
A partir de então, foram diversos e prazerosos os mergulhos pela nossa cultura, desde a terrinha Uruaçu, passando pelas mais diversas expressões regionais e nacionais, até a imensidão cultural de lugares como Japão, Cabo Verde, Caribe, Estados Unidos, França, Portugal e tantos outros recantos desse, como diria Carlos Drummond de Andrade, mundo vasto mundo.

Foi delicioso pesquisar e escrever sobre música, poesia, literatura, artes plásticas, cinema, teatro, dança, folclores, e também postar minhas ousadias poéticas e de cronista. Mais agradável ainda ter escrito sobre artistas como Baudelaire, Sandro Botticelli, Tom Jobim, Chico Buarque, Elomar, John Lee Hooker, passando pelos poucos conhecidos, como Vítor Garbelotto, Victor Ramil, Gamela, Joaquim Jaime, até os anônimos conterrâneos Zequinha, Mestre Plínio e Tia Zizi.
Prazeroso também foi ter colaboradores como Matheus Carvalho, Emília Ulhôa, Jean-Marie, Renato Pinto e tantos outros, além dos quatro conterrâneos que enviaram mensagens de congratulações ao blog; Itaney, Ítalo, Juracema e Sinvaline. As primeiras portas para o ZecaBlog foram abertas pelo amigo Inorbel Maranhão Viegas, a quem devemos o nascedouro de tudo isso. O blog não teria sobrevivido se não fosse o estímulo de apoiadores e incentivadores como o parceiro Jorge Luiz Carvalho, Márcia Dutra, Mônica Silva, Marco Túlio (Tuim) e muitos outros.
Vamos seguir adiante. O universo da cultura é amplo e irrestrito. Ainda há muito a pesquisar, conhecer e divulgar para os amigos e amigas, que, com paciência inexplicável, tem nos acompanhado passo a passo ao longo dessa estrada.
Como diria Fernando Pessoa: “Cultura não é ler muito, nem saber muito; é conhecer muito”.
Beijos blogueiros, bloguistas e blogados.

A internet é um mundão velho sem porteira! Por isso, chega de tudo! Chega do bom ao ruim. Mais de bom do que do ruim, diga-se, em favor dessa trama labiríntica, sem o fio de Ariadne. A vinda do ZecaBlog, por exemplo, compensou muita, muita coisa lamentável. Com suas crônicas líricas, inteligentes, bem-humoradas, mas, quando preciso, cheias de indignação, o blog do Zé Carlos enriqueceu nossas incursões pela rede mundial. Na rede do Zeca, recolheram-se estórias e história, muita prosa e poesia, belas imagens, viagens, visagem, poesia e até um pouco de melancolia! E não raro descobrem-se pérolas palpitantes nas conchinhas! Foram 300 mil passantes, 300 mil navegantes nesses remansos de boa escrita, lúcida, crítica, e auspiciosas notícias! Vida longa ao blog do Zeca!
(Itaney Francisco Campos)

“... milhões te adoram, e sem favor algum, entre os milhões, eis aqui mais um" ... saúdo o ZecaBlog com este trecho da canção de Pedro Caetano: Vitória Cidade Sol. Em meio a tantas bobagens que circulam na rede, o Zecablog é uma seara de bom gosto, ao nos trazer temas como literatura, sustentabilidade, fotografia, música, educação, esporte, turismo. De forma leve, o blog me informa, me orienta e me faz sorrir. Parabéns ZecaBlog! Continuarei seguindo seus posts pela vida afora.
(Ítalo Campos)


O ZecaBlog completa seis anos, nos ofertando sempre cultura, belas poesias, informações imprescindíveis. Acompanho o blog desde seus primórdios e tenho orgulho de ter participado com algumas colaborações. Visualizar é enaltecer a alma!
(Juracema Barroso Camapum)

Navegar no ZecaBlog é voltar no tempo, se atualizar lendo notícias, lembranças, críticas e muita poesia! Parabéns!
(Sinvaline Pinheiro)