domingo, 9 de julho de 2017

Dia de aniversário é dia para sonhos e não para pesadelos


Confesso que me senti um ano mais velho no dia de hoje. Como se mais que 365 dias houvessem passados desde o último dia 9 de julho. Um peso maior de responsabilidade para com os meus e comigo mesmo. Um olhar distante e quase infinito para aquele 9 de julho de 1954. Dificuldade para vislumbrar o futuro, os dias que virão. Meio que cansado, um tanto quanto frustrado e com um grau de cobrança exagerado para com os fazeres, os afazeres e os quereres para o bem. Nuvens pesadas, cortadas por raios fulgurantes da amarga desventura. Vento forte a desviar os ideais. Relâmpagos e trovões. E um frio intenso, muito frio...

Acordei sobressaltado. Tinha dormido com pouca coberta e agasalhado um pesadelo desconcertante sobre o passar dos tempos, a idade e as razões da existência. Pesadelo pesado para a madrugada do aniversário de qualquer ser humano. Principalmente para quem atingiu a marca dos 6.3, com potência de muitos cavalos, velocidade acima da média permitida e queimando bastante combustível.
Acordei. Agasalhei-me melhor junto ao cobertor de orelha, que a Stela me proporciona na maior parte desses meus anos de existência.
Aí, pude refletir melhor e sem a influência dos “raios fulgurantes da amarga desventura”. O que dizer no dia do seu aniversário, além dos agradecimentos pelas felicitações de todos que se manifestaram de alguma forma? Agradecer, de coração, aos amigos reais, manifestantes pelas vias virtuais das redes sociais, é o óbvio e o mínimo que podemos e devemos fazer.
Aniversário é aquilo que normalmente não se quer, mas como viver sem fazê-lo? Então melhor é vivê-lo intensamente e esquecer que representa apenas o passar dos tempos. Representa muito mais. Diriam os otimistas de plantão que essa data traduz sabedoria, acúmulo de experiência, conquistas e outros prazeres.


Nos tempos em que comemoravam meu aniversário, como diria Fernando Pessoa, "eu era feliz e ninguém estava morto". Tinha uma saúde de dar inveja e o passar dos anos era sempre uma conquista digna de ser registrada nas folhas de um diário. Se fizermos como o poeta Carlos Eduardo Drummond e formos ao dicionário, a definição de aniversário é burocrática, desprovida de emoções, pesada, como geralmente é pesado o “pai dos burros”.

Mas, leve e poética é a definição que o próprio Carlos Eduardo Drummond deu ao vocábulo:

"Aniversário: espécie de relicário,
Muitíssimo bem guardado
Nas folhas do meu diário,
Dos versos que eu escrevi,
Com todo amor, e não li,
Durante o ano passado."

Eu até arrisquei dizer algumas palavras em versos:

Meu aniversário é perda de tempo...
Melhor seria passá-lo ausente,
Distante de tudo, dos fatos e fotos,
Do angustiante cantar dos parabéns,
Das palmas agudas e alucinantes...
Entre apagar de velas e dos tempos...
Mas, como dar-lhe essa forma contraída
Se o que representa é a própria vida!

Pois é, amigos, pior do que o passar dos anos é a ausência deles. De certa idade para frente, deixamos de fazer anos, mas passamos a durar, teimosamente. E não há motivo para não comemorar o aniversário. Ele é apenas o renovar da felicidade de viver, com todo o esplendor que a vida traz em si mesma.

Ou, como diria poeticamente Fernando Pessoa:

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...”

E para terminar, faço minhas essas palavras do poeta maior, Carlos Drummond de Andrade:

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.




14 comentários:

  1. Grande companheiro, também me questiono nesse mesmo mês sobre esse desaniversário que nos coloca mais perto do fim do que do começo, mas quando somo as pessoas que conheci e conheço e vejo que entre elas tenho uma pessoa tão querida como você, vejo que valeu a pena esses mais de cinquenta (bem mais, kkk) que já vivi. O amigo Zé Carlos que Vanessa e Ramiro trouxeram para as nossas vidas é já um grande motivo prá comemorar. Um abraço de coração e um agradecimento a Deus por ter você entre as pessoas que chamo de amigo. Parabéns!

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    1. Obrigado, amigo. Sempre carinhoso e gentil. Grato por mais essa participação aqui no blog.

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  2. Os versos são lindos. Nostálgicos, acho que é assim que vamos ficando.A música e a poesia nos faz ir vivendo.Ganhamos a sabedoria de não dar tanta importância a coisas que nos diminui,nos chateiam.É a maravilha da maturidade. Viver não é fácil,nunca achei.Podemos viver um pouco mais os nossos desejos,se formos intolerantes com o que não nos agrada.Já não importa ouvir:Ransinza,velho chato!A boa idade é para sermos bons para nós mesmos!Viva muitos anos irmão que seus irmãos sempre lhe viram com muita admiração!

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    1. Obrigado, Jurinha, sempre atenta e participativa aqui no blog. Beijos.

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  3. Parabéns Zezão!! Muitas felicidades!

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  4. Parabéns José Carlos! Comemorar aniversários é homenagear a vida, é termos a certeza do que realmente temos interesse. Comemorar aniversários é uma dádiva, ainda mais quando temos a oportunidade de conhecer e con-viver com pessoas como você! Felicidades para você e para essa família linda que você constituiu!

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    1. Obrigado, Solange pela sua participação aqui no Blog. Sempre muito gentil conosco. Abração.

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  5. Que bela reflexão! Parabéns amigão, que Deus o conserve pleno de saúde, graça e inspiração. Muitas felicidade, paz e harmonia. Um beijão no seu coração.

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    1. Obrigado pela participação. A família Campos faz parte da nossa história. Beijos para todos.

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